I know not what tomorrow will bring.
sexta-feira, 14 de junho de 2013
sábado, 27 de abril de 2013
domingo, 14 de abril de 2013
O Banqueiro Anarquista estará de volta. (Fernando Pessoa)
Siguimos com nosso Banqueiro, agora e ainda, afinando nosso espetáculo diante do público e experimentando diferentes espaços. Desta vez estaremos por oito dias, em Maio, no Teatro Café Pequeno. À partir do dia 03/05 - Sempre as Sextas, Sabados e Domingos as 20:30h - até o dia 19/05.
Teatro Café Pequeno
Avenida Ataulfo de Paiva, 269
Leblon - Telefone(s): (21) 2294-4480
Sextas Sábado e Domingos - as 20:30
Ingresso:
40,00 inteira
20,00 Meia
15,00 Amigo
Divulgue nossa peça no facebook e ganhe 50% de desconto - seja nosso amigo, divulgando com gosto e pague apenas 15,00.
(para garantir seu desconto, mande uma mensagem para Fernando Lopes Lima)
Teatro Café Pequeno
Avenida Ataulfo de Paiva, 269
Leblon - Telefone(s): (21) 2294-4480
Sextas Sábado e Domingos - as 20:30
Ingresso:
40,00 inteira
20,00 Meia
15,00 Amigo
Divulgue nossa peça no facebook e ganhe 50% de desconto - seja nosso amigo, divulgando com gosto e pague apenas 15,00.
(para garantir seu desconto, mande uma mensagem para Fernando Lopes Lima)
terça-feira, 9 de abril de 2013
Ficha técnica:
Direção: Fernando Lopes Lima
Atores: Peter Boos, José Karini e Rafael Mannheimer
Iluminção: Aurelio de Simoni
Cenário: Marcos Saboya
Figurino: Kassandra Speltri
Direção Músical: Leonardo de Castro
Direção de produção: Fernando Lopes Lima
Nosso blog vai mudar de rosto.
Estreamos, foram três dias de puro prazer. Foram tanto meses de ensaio que estavamos radiantes com a estreia, seguro e felizes como deve ser feito o bom e velho teatro. Obrigado a todos que nos apoiaram. A partir de agora nosso ilustre e desconhecido blog vai mudar de processo para temporadas, Aqui farei relatos sobre a temporada no Midrash, participação em festivais e viagens. Também faremos promoções e divulgações. Fiquem atentos amigos. Sempre terá aqui uma novidade, um relato ou e informações sobre nosso querido banqueiro. O banqueiro anarquista. Abraços
sexta-feira, 29 de março de 2013
O Banqueiro por Edvard Vasconcellos
- Meu amigo, eu já lho disse, já lho provei, e agora repito-lho... A diferença é só esta:
eles são anarquistas só teóricos, eu sou teórico e prático; eles são anarquistas
místicos, e eu científico; eles são anarquistas que se agacham, eu sou um anarquista
que combate e liberta... Em uma palavra: eles são pseudo-anarquistas, e eu sou
anarquista.
E levantamos-nos da mesa.
O "Banqueiro anarquista", em cartaz no Teatro Serrador é um conto, com ares de filosofia com estrutura estática platônica, escrita pelo gênio da literatura portuguesa Fernando Pessoa, transposto para o teatro com grande habilidade pelo Fernando Lopes Lima, o Fernandão. Uma grande ironia do Pessoa, que cria um diálogo situado em um ambiente desembaraçado num destes clubes tradicionais, costumeiramente alheios aos debates intelectuais ou políticos. Depois de um jantar, um banqueiro rico emaranha, com o seu raciocínio complexo e paradoxal, um ingênuo e servil interlocutor. A partir daí, o que se vê é uma lição iconoclasta e de extrema ironia sobre o que este banqueiro julga ser o verdadeiro anarquismo, do qual se declara inventor e partidário fervoroso. A peça é ótima, José Karine, tem um domínio meticuloso das palavras, controlando a ironia, o humor, conduzindo o público com maestria. Peter Boos e Raphael Manheimer, o seguem de perto com registros bem diferentes. O cenário, a luz, a trilha e a duração seguem o tom equilibrado que a direção imprimiu. O Banqueiro Anarquista é um tratado didático sobre filosofia política, disfarçado de teatro, habilmente dirigido. Merecemos vê-la em cartaz por mais tempo.
eles são anarquistas só teóricos, eu sou teórico e prático; eles são anarquistas
místicos, e eu científico; eles são anarquistas que se agacham, eu sou um anarquista
que combate e liberta... Em uma palavra: eles são pseudo-anarquistas, e eu sou
anarquista.
E levantamos-nos da mesa.
O "Banqueiro anarquista", em cartaz no Teatro Serrador é um conto, com ares de filosofia com estrutura estática platônica, escrita pelo gênio da literatura portuguesa Fernando Pessoa, transposto para o teatro com grande habilidade pelo Fernando Lopes Lima, o Fernandão. Uma grande ironia do Pessoa, que cria um diálogo situado em um ambiente desembaraçado num destes clubes tradicionais, costumeiramente alheios aos debates intelectuais ou políticos. Depois de um jantar, um banqueiro rico emaranha, com o seu raciocínio complexo e paradoxal, um ingênuo e servil interlocutor. A partir daí, o que se vê é uma lição iconoclasta e de extrema ironia sobre o que este banqueiro julga ser o verdadeiro anarquismo, do qual se declara inventor e partidário fervoroso. A peça é ótima, José Karine, tem um domínio meticuloso das palavras, controlando a ironia, o humor, conduzindo o público com maestria. Peter Boos e Raphael Manheimer, o seguem de perto com registros bem diferentes. O cenário, a luz, a trilha e a duração seguem o tom equilibrado que a direção imprimiu. O Banqueiro Anarquista é um tratado didático sobre filosofia política, disfarçado de teatro, habilmente dirigido. Merecemos vê-la em cartaz por mais tempo.
terça-feira, 26 de março de 2013
Por Rafael Tom Luz - no Facebook
Pensei em indicar as próximas encenações
de "O banqueiro anarquista" – em cartaz somente hoje e amanhã (26 e 27 de
março), às 19 horas no Teatro Serrador – aos que estão estudando Literatura
portuguesa moderna neste semestre, porém correria o risco de estar dando uma
ótima sugestão àqueles que não gostam muito de ler, mas ainda assim cursam as
faculdades de Letras. Outro grande problema nesse pen...samento é que o
espetáculo, na verdade, deve ser indicado para todos (e, prioritariamente, a
todos os que amam o teatro), pois é a grande oportunidade para ver o conto de Fernando Pessoa ganhar vida e dar várias lições de
vida. O heterônimo Alberto Caeiro (Peter Boos) aparece para apresentar seu amigo banqueiro (José Karini),
“grande comerciante e açambarcador notável”, um homem de sensível tenacidade,
capaz de esmiuçar a reflexão através de muitos argumentos, um prodígio da antiga
escola retórica. Nesse momento, você, se estiver na plateia, também será
convidado a tomar parte nessa genial conversação de Fernando Pessoa consigo
mesmo.
Não estou menosprezando a grande capacidade imaginativa do ser humano, porém dificilmente você fará uma leitura tão aprimorada quanto a que está sendo encenada lá. A atuação de José Karini consegue ultrapassar o impecável, dá uma verdadeira aula de como se lê (e se vê) o banqueiro anarquista. Por um lado, mostra-se exemplar aluno da criação dramática de Fernando Lopes Lima, que (como se não bastasse sua longa pesquisa e paixão pela história) foi auxiliado pelas análises teóricas de Guto Beluco e Filipe Ceppas; por outro, José Karini exibe toda sua maturidade artística na composição do banqueiro, qualidade imprescindível para o personagem, com todo o fôlego e pausas necessários para conduzir a complexa argumentação de como este banqueiro é mais anarquista do que os “do tipo dos sindicatos e das bombas”.
Se você for alguém suficientemente humilde, talvez tenha certo medo (e prudência) de ter de enfrentar o astuto banqueiro anarquista numa conversação. Isso é bastante prudente, mas você pode ficar mais do que tranquilo, pois Peter Boos estará lá para encarnar o narrador-mediador do conto, de modo que todos ficarão bem à vontade para se deliciarem com a conversa informal regada a vinho. Talvez você, se for uma pessoa tão chata quanto eu, ficará se questionando o porquê da escolha de Alberto Caeiro para nortear o personagem-narrador (já que ele morreu em 1915, e o conto é de 1922), porém basta você olhar para a atuação de Rafael Mannheimer, ao fundo, e você irá entender que, da mesma forma como Caeiro morreu, poderia ressucitar. Assim como o personagem de Mannheimer é ao mesmo tempo Álvaro de Campos e Fernando Pessoa, os outros dois também o são.
Não estou menosprezando a grande capacidade imaginativa do ser humano, porém dificilmente você fará uma leitura tão aprimorada quanto a que está sendo encenada lá. A atuação de José Karini consegue ultrapassar o impecável, dá uma verdadeira aula de como se lê (e se vê) o banqueiro anarquista. Por um lado, mostra-se exemplar aluno da criação dramática de Fernando Lopes Lima, que (como se não bastasse sua longa pesquisa e paixão pela história) foi auxiliado pelas análises teóricas de Guto Beluco e Filipe Ceppas; por outro, José Karini exibe toda sua maturidade artística na composição do banqueiro, qualidade imprescindível para o personagem, com todo o fôlego e pausas necessários para conduzir a complexa argumentação de como este banqueiro é mais anarquista do que os “do tipo dos sindicatos e das bombas”.
Se você for alguém suficientemente humilde, talvez tenha certo medo (e prudência) de ter de enfrentar o astuto banqueiro anarquista numa conversação. Isso é bastante prudente, mas você pode ficar mais do que tranquilo, pois Peter Boos estará lá para encarnar o narrador-mediador do conto, de modo que todos ficarão bem à vontade para se deliciarem com a conversa informal regada a vinho. Talvez você, se for uma pessoa tão chata quanto eu, ficará se questionando o porquê da escolha de Alberto Caeiro para nortear o personagem-narrador (já que ele morreu em 1915, e o conto é de 1922), porém basta você olhar para a atuação de Rafael Mannheimer, ao fundo, e você irá entender que, da mesma forma como Caeiro morreu, poderia ressucitar. Assim como o personagem de Mannheimer é ao mesmo tempo Álvaro de Campos e Fernando Pessoa, os outros dois também o são.
Além disso, a fruição teatral é da mais alta qualidade e
refinamento. Várias mãos invisíveis passam pelo espetáculo, mãos que
proporcionarão à sua ida ao Teatro Serrador uma vivência tanto ou mais
proveitosa do que a leitura do texto, uma experiência filosófica, dramática e
recheada de ironias que somente grandes momentos de reflexão são capazes de
oferecer. A iluminação de Aurelio de Simoni, mais uma vez marcante pela maestria
de composições com texturas de branco e sombra, aguça toda a potencialidade da
peça. A inusitada criação de Marcos Saboya no cenário (feito em conjunto com Thais
Zilberberg), é uma pequena instalação chamada "127 Pessoas" e, de certo modo,
também é uma pequena amostra de sua criação aMAZEme, que representou o Brasil em
Londres no ano passado, mas um pequeno gigante, uma concepção precisa ao
espetáculo. Fernando Lopes Lima consegue fazer com que a Sala Brigitte Blair
fale com o espectador e o espetáculo. A encenação de “O banqueiro anarquista” é
uma escandalosa evidência da profunda intimidade do dramaturgo com sua
residência artística.
Imagino que, num breve futuro, as pessoas irão abrir seus ebooks para ler esse conto e haverá as opções para ouvi-lo em audiobook e a de ver a peça. Porém, se você não quiser esperar até lá, é melhor ir conferir pessoalmente.
Imagino que, num breve futuro, as pessoas irão abrir seus ebooks para ler esse conto e haverá as opções para ouvi-lo em audiobook e a de ver a peça. Porém, se você não quiser esperar até lá, é melhor ir conferir pessoalmente.
sexta-feira, 15 de março de 2013
Against Me! - Baby I'm An Anarchist
Tradução:
Baby, Eu Sou Um Anarquista
Através dos melhores momentos,
Através dos piores momentos,
Através de Nixon e de Bush,
Você lembra de 1936?
Quando seguimos nossos caminhos separados.
Você lutou por Stalin
Eu lutei por liberdade
Você acreditava na autoridade
Eu acreditava em mim mesmo
Eu era um coquetel Molotov
Você era Dom Perignon
Baby, o que é esse olhar tão confuso em seus olhos?
O que estou tentando dizer é que
Eu queimava edificios
Enquanto você Sentava em uma prateleira dentro deles
Você avisava a policia
Sobre os saqueadores e os atiradores de tortas
Eles chamam isso de guerra de classes
Eu chamo de conspiradores
Porque Baby, eu sou um anarquista,
Você é uma covarde liberal
Nós marchamos juntos pela jornada de 8 horas
E de mãos dadas pelas ruas de Seattle
Mas quando chegou a hora de jogar tijolos
Nas janelas da Starbucks
Você me deixou sozinho
Você olhava com admiração o vermelho,
O branco e o azul do 4 de julho
Enquanto os fogos de artificio explodiam
Eu estava ficando louco
E amarrando minha bandeira negra no alto
Comendo os amendoins
Que as partes tinham jogado em você
No banco de trás do novo Ford de seu pai
Você acredita na votação
Acredita na reforma
Você tem fé no elefante e no jackass,
E para você,solidariedade é uma palavra de quatro letras
Todos somos hipocritas,
Mas você é uma patriota
Você achou que eu estava brincando
Quando eu gritava "kill Whitey!"
Com todos os meus pulmões
Aos policias em seus carros
E aos homens de terno
Não, eu não vou pegar sua mão
E casar com o estado
Porque Baby, eu sou um anarquista,
Você é uma covarde liberal
Nós marchamos juntos pela jornada de 8 horas
E de mãos dadas pelas ruas de Seattle
Mas quando chegou a hora de jogar tijolos
Nas janelas da Starbucks
Você me deixou sozinho
terça-feira, 12 de março de 2013
O Banqueiro Anaquista 25, 26 e 27 de Março
São meses preparando um trabalho, com tranquilidade, com parceiros que tornam possível está tranquilidade. Existem mutas formas de se montar um peça teatral, inumeráveis maneiras. Com diretores mais exigentes, as vezes mais rígidos, mais intelectuais, mais cheios da mais legitima certeza, com formas, estilos e todos os tipos de jeitos e maneiras. Eu, sempre estive na busca pelo entendimento das partas, das relações, transformando o ambiente de trabalho em lugar de acolhimento, para criar junto, nunca só. Fazer teatro já é tão difícil porque piorar tudo se podemos melhorar, digo isso baseado num tipo de troço que existe por ai, ou que vivi nos últimos anos, tudo sempre tão cheio de verdades, tão cheio de si, ao ponto de se tornar um centro, ai todo o resto fica entorno do sol, esse tipo de relação já não me interessa mais. Prefiro poder olhar para o ator diretamente, sem me sentir ameaçado, nem me tornando ameaçador, isso é próprio dos intelectuais da arte, que conseguem esticar o pescoço mais alto que os outros, eu não sirvo neste tipo.
Criar é libertar-se. Hoje, chegando perto da estreia de O Banqueiro, depois de viver um processo tão divertido, profundo, maduro, tranquilo, delicado e refinado, não há mais, em mim, a possibilidade de aceitar o que não for isso. O que não for junto, o que não for coletivo, o que não for libertador. Pelo menos não mais ainda. Eu não sou coerente. Quero criar, apresentar o Banqueiro e depois abrir as correntes e, como cada um tem libertar a si próprio, eu me libertarei. Libertarei a mim, compreende? "Cada um tem que libertar a si próprio"
Criar é libertar-se. Hoje, chegando perto da estreia de O Banqueiro, depois de viver um processo tão divertido, profundo, maduro, tranquilo, delicado e refinado, não há mais, em mim, a possibilidade de aceitar o que não for isso. O que não for junto, o que não for coletivo, o que não for libertador. Pelo menos não mais ainda. Eu não sou coerente. Quero criar, apresentar o Banqueiro e depois abrir as correntes e, como cada um tem libertar a si próprio, eu me libertarei. Libertarei a mim, compreende? "Cada um tem que libertar a si próprio"
sexta-feira, 8 de março de 2013
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Dia 25 de Março - TEATRO SERRADOR
O BANQUEIRO ANARQUISTA
Fernando Pessoa
Segue uma lista dos nossos anarquistas de plantão:
Furio Lonza
Maria Alice
Mariana Nicola
Diego Molina
João Ferreira
Pablo Ramoz
Alexandre Negreiros
Aldo Medeiros
Leticia Medella
Mãe da Leticia Medella
Janaína Prado
Heliane Fonseca
Cristina De Lamare
Moacir Chaves
Michel Ramos
Marcos Saboya
Vilma Melo Schaefer
Renata Mizrahi
Rafael Tom Luz
A todos meu profundo agradecimento.
Fernando Lopes Lima

Fernando Pessoa
Finalmente, meus samigos, estamos chegando a reta final do nosso processo de montagem. A estreia é parte do processo, uma peça de teatro pode e deve ser melhorada, maxida ou coisa que valha, no decorrer das apresentações. Serão três dias seguidos, dias: 25, 26 e 27 de Março (Teatro Serrador). Até agora tivemos muitos apoios importantes, pessoas que estou chamando de "anarco-apoiadores".
Segue uma lista dos nossos anarquistas de plantão:
Furio Lonza
Maria Alice
Mariana Nicola
Diego Molina
João Ferreira
Pablo Ramoz
Alexandre Negreiros
Aldo Medeiros
Leticia Medella
Mãe da Leticia Medella
Janaína Prado
Heliane Fonseca
Cristina De Lamare
Moacir Chaves
Michel Ramos
Marcos Saboya
Vilma Melo Schaefer
Renata Mizrahi
Rafael Tom Luz
Todas essas pessoas, doaram livros, abajures, malas, mimeografos e objetos em geral. Fizemos uma campanha no facebook e tivemos muitas respostas positivas. É um barato poder contar com este elenco de colaboradores. E a lista é ainda maior, se levarmos em conta a equipe, de produção, de elenco, enfim, de artistas que estão envolvidos diretamente com o projeto. São todos herois da resistência - Peter Boos, José Karini, Aurelio de Simoni, Leonardo Castro, Thais Zylberberg, Marcos Saboya, Kassandra Speltri, Mariana Nicola e Maria Alice Sivério.
A todos meu profundo agradecimento.
Fernando Lopes Lima
Estamos precisando de uma bicicleta antiga

Ainda precisamos de livros.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
extratos - sem título
Vós todos que tendes uma escola, que andaes sob a canga de uma orientação, que pertenceis a qualquer cousa que acaba em ismo, que sois quaesquer entes que acabem em ISTAS! Para quê o limite se para ser limitado basta existir? Crear é libertar-se! Crear é subistituir-se a se próprio! Crear é ser desertor! Substituamos as personalidades à personalidade. Que cada um seja muitos! Basta de ser para si a primeira pessoa do singular de qualquer pronome ou verbo. Sejamos a Pessoa Absoluta do Plural Inconmensuravel. Menos que isto é a arte do passado! Acabemos com o não haver machinas no verso, e com o o haver versos com a mesma medida para tudo - FATO-FEITO da inspiração barateira. Tragam-me isso por casa de não terem casa! Não façamos apologia dos fortes - as dos fracos de muitas maneiras! Não façamos apologia dos heroes - mas dos completos! Ser heroe é ser tudo num só acto de vida! Queiramos mais! Queiramos ter o heroismos! Queiramos mais!
Trecho do livro PROSA DE ÁLVARO DE CAMPOS.
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
O grande
teatro do mundo
Ator –
palhaço – personagem
Por
Fernando Lopes Lima.
Sou
ator. Se me perguntam se sou palhaço, digo que sou também. Porque
tenho o pasmo essencial, sei olhar para o mundo como uma criança.
Tenho certeza que sou palhaço porque quem decide isso sou eu.
Acredito e pronto. Não preciso de um mestre ou de um “guru”.
Observo e assim vou me construindo, em ato, em relação com o mundo.
Sou ator como profissão e palhaço como condição. É possível ser
o contrário. Alias, todos nós somos atores no grande teatro do
mundo. Mas, trago para minha vida a condição de palhaço. Como ator
sou uma prostituta, vendo-me em corpo e alma e faço isso por
qualquer preço, sou dos mais baratos. Vendo-me não como Fausto,
caro, vendo-me barato e as vezes não me pagam. O palhaço está
sempre comigo, eu sou ele e ele sou eu e ele me faz nunca ser eu
mesmo. Hoje é tarde e amanha nem existe. A contradição; o devir;
são marcas dessa minha condição de palhaço. Hoje sou um amanha
serei outro necessariamente. Quando temos o pasmo essencial, não há
um dia que não seja único. Agora, um bom ator e ou um bom palhaço,
deve perseguir este objetivo quando for desempenhar seu personagem, o
teatro é a arte da repetição dizem os mais antigos, já Artaud
acreditava que um ator não deveria sequer repetir as marcas, para
manter sempre, por assim dizer, o frescor. Brecht inventou o
“estranhamento”; o “distanciamento”; o “não personagem”.
Podemos dizer, sem muitos erros, salvo os enganos, que todos esses
pensadores da cena, e são muitos, estavam querendo alcançar o pasmo
essencial. Como fazer a mesma coisa todos os dias sem perder a
primeira essência? Neste lugar surge, o palhaço! Como caminho e digo
mais, como resposta. Para mim, a palhaçaria é a ciência do To
Play or Not To Play, parodiando
Shakepeare no solilóquio mais famoso do teatro, “Ser o não ser”.
Um
ator é capaz de desempenhar/interpretar um personagem "palhaço",
seja ele clássico, com nariz e figurino, seja só no estado, um
cômico, assim como desempenha outros tantos papeis, com técnica,
com construção, estados; com todos os instrumentos possíveis que
nos permitem desempenhá-lo, mas ele só é palhaço quando entende
que tudo está acontecendo pela primeira vez, naquele instante. Eu
digo para os meus personagens: - fora daqui, na coxia, é a morte.
Então todos os dias eles nascem novamente e por isso nunca estão
maduros, nunca são adulterados, serão sempre crianças vendo o
mundo pela primeira vez. Não estou no controle, deixo fluir, me
coloco à beira abismo ou em estado de jogo, “to play”. Sou
sempre um bom ator? Isso sempre funciona? Claro que não, quando nos
colocamos em risco podemos fracassar. É sempre um dia depois do
outro, “not to play”.
Existem
os que são palhaços ou são atores palhaços, que vivem,
profissionalmente, da palhaçaria. Pagam suas contas sendo palhaços,
e são muitos. Esses tem o mesmo desafio, de manter o frescor. A
diferença é que escolheram uma persona, vão dar vida exterior a um
palhaço, o seu palhaço, muitas das vez por uma vida inteira. A
questão deve ser a mesma, como manter o pasmo essencial?
Todos os
dias olho no espelho e me pergunto: quem é este impostor que vejo
disfarçado de mim? Do que ele é capaz? E vou para o mundo descobrir
quem sou. To play or not to play. Agora, se levamos isso para vida,
se convivemos com o eu/palhaço a cada dia, se nos permitimos dormir
e acordar para um novo dia, se temos o pasmo essencial, estamos a um
passo de um paraíso terreal. Podemos jogar fora os anti-depressivos.
Podemos não ter mais medo da morte. Essa é a grande mensagem que
nós palhaços da vida devemos revelar ao mundo.
Vamos
cagar e andar. Seremos atores melhores. Seremos palhaços melhores.
Médicos. Dançarinos. Seremos seres humanos melhores. Amém.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Amália Rodrigues - Fado
Fernando Pessoa
O FADO E A ALMA PORTUGUESA
O FADO E A ALMA PORTUGUESA
Toda a poesia - e a canção é uma poesia ajudada - reflecte o que a alma não tem. Por isso a canção dos povos tristes é alegre e a canção dos povos alegres é triste.
O fado, porém, não é alegre nem triste. É um episódio de intervalo. Formou-o a alma portuguesa quando não existia e desejava tudo sem ter força para o desejar.
As almas fortes atribuem tudo ao Destino; só os fracos confiam na vontade própria, porque ela não existe.
O fado é o cansaço da alma forte, o olhar de desprezo de Portugal ao Deus em que creu e também o abandonou.
No fado os Deuses regressam legítimos e longínquos. É esse o segredo sentido da figura de El-Rei D. Sebastião.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Giovanni Rossi e a Colonia Cecília
Giovanni Rossi (pseudônimo Cardias) (1856 - 1943) foi um anarquista italiano, engenheiro agrônomo e médico veterinário de profissão, escritor que por influência dos socialistas libertários experimentalistas franceses (socialistas utópicos no jargão marxista), escreveu uma série de livros sobre a criação de comunidades experimentais. Foi membro da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) de Pisa, fundou a Colônia Agrícola Experimental Cittadella em Cremona, e ganhou notoriedade ao tentar implementar a colônia experimental Cecília no ano de 1890, em território brasileiro, na cidade de Palmeira, estado do Paraná.
Link de um artigo interessante sobre a colônia:
http://www.ifch.unicamp.br/ael/website-ael_publicacoes/cad-8/Artigo-1-p09.pdf
Link de um artigo interessante sobre a colônia:
http://www.ifch.unicamp.br/ael/website-ael_publicacoes/cad-8/Artigo-1-p09.pdf
A Soma - uma terapia anarquista
Foi criada e desenvolvida no Brasil pelo instaurador Roberto Freire para ser um instrumento para aqueles que buscam respostas originais em suas vidas, procurando entender o comportamento político humano em sociedade a partir do cotidiano das pessoas. São as micro-relações que produzem o germe do autoritarismo social, num jogo de poder e sacrifício onde valores capitalistas como a competição, o lucro e a exploração já não podem ser tratados apenas como questões de mercado e ideologia. É inegável a influência destes valores sobre áreas vitais das relações humanas, como no amor, por exemplo, onde sentimentos (ciúmes, posse, insegurança) e situações (competição, traíção, mentiras) parecem reproduzir no micro-social todos os ranços e saldos do autoritarismo de Governos e Estados. Para a Soma, portanto, a política começa no cotidiano e é a fonte dos mecanismos de manutenção da ordem social, assim como tem forte influência sobre a subjetividade das pessoas. Baseado nas pesquisas de Wilhelm Reich, colaborador e depois dissidente da psicanálise de Freud, a Soma nasceu de estudos sobre o desbloqueio da criatividade. Através de exercícios teatrais, jogos lúdicos e de sensibilização, criamos uma série de vivências que possibilitam uma rica descoberta sobre o comportamento e suas inúmeras nuances. Perceber como o corpo reage diante de situações tão diferentes, como a agressividade, a comunicação, a sonsorialidade, a sensualidade e sua relação com sentimentos e emoções, permite um resgate daquilo que nos diferencia enquanto individualidade, para criar um jeito novo, a originalidade contra a massificação. Assim, a Soma se constitui como um processo terapêutico corporal e em grupo, com conteúdo político explícito, o anarquismo. A terapia tem tempo determinado (cerca de um ano e meio) e é realizada em sessões de três horas cada (são quatro por mês) em vivências compostas de exercícios corporais e dinâmica de grupo autogestionária. Buscando uma ampliação do caráter libertário da Soma, há alguns anos estamos utilizando a capoeira angola também como parte integrante da terapia. Fazer Soma, viver o processo de um grupo diante do desafio de produzir relações mais sinceras e solidárias é buscar saídas práticas na construção de sociabilidades mais livres e saudáveis. Tentar ser algo mais do que um indivíduo perdido entre redes de controle social. João da Mata – somaterapeuta
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